CB1 e CB2: descubra a importância do sistema endocanabinoide

Saiba como o sistema endocanabinoide pode mudar sua vida!

 

 

A Cannabis Sativa é uma planta usada pelos seres humanos para os mais diversos fins desde períodos bastante remotos da história. Os primeiros fitocanabinoides foram isolados no final do século XIX, e as estruturas químicas de alguns já haviam sido elucidadas ainda na primeira metade do século XX. No início do século XXI, o sistema endocanabinoide foi definido como o sistema orgânico formado por duas proteínas de membrana celular particularmente sensíveis à ação da principal molécula psicoativa da cannabis, os receptores canabinoides tipo 1 (CB1) e tipo 2 (CB2), pelos dois principais ligantes endógenos que atuam sobre os receptores canabinoides (a anandamida- AEA e o 2-araquidonoilglicerol – 2AG) e pela enzimas responsáveis pela síntese e degradação da AEA e o 2-AG.

Em menos de seis décadas, pesquisas que investigaram o envolvimento do sistema endocanabinoide em funções fisiológicas normais e nas alterações fisiopatológicas de uma ampla variedade de quadros clínicos geraram resultados consistentes demonstrando que seus componentes estão amplamente distribuídos por todo o corpo e exercem papel fundamental nas vias de sinalização em diversas funções críticas para a manutenção do bom funcionamento do organismo, tanto que a modulação da atividade do sistema endocanabinoide por meio de intervenções farmacológicas ou genéticas se tornou uma promessa terapêutica para ampla variedade de doenças.

As evidências disponíveis apontam que os canabinoides podem ser efetivos e seguros no tratamento de condições clínicas com alta prevalência na população. O relatório de 2017 da Academia Nacional de Medicina dos EUA reconheceu evidencias conclusivas ou substanciais da efetividade analgésica (com destaque para dores crônicas), antiemética (redução de náuseas e vômitos na quimioterapia), e para o controle dos sintomas de espasticidade da esclerose múltipla, tanto da cannabis in natura como de canabinoides isolados. São crescentes os resultados que apontam efeitos terapêuticos da modulação canabinoide para transtornos de ansiedade e humor, distúrbios de motricidade, dores neuropáticas, cânceres, doenças cardiovasculares, neurológicas, respiratórias, alterações metabólicas e muitos outros quadros de saúde, incluindo os transtornos por uso de álcool, nicotina, opioides e psicoestimulantes.

Além da vasta distribuição do sistema endocanabinoide por todo o corpo, seu papel na modulação das respostas neurobiológicas aos eventos que desafiam ou excedem as capacidades de um organismo (estresse) é outro fator que ajuda a entender a abrangência, alcance e diversidade das aplicações da cannabis na saúde.

Dessa forma, concluímos que os receptores canabinoides – CB1 e CB2 – são fundamentais para a modulação de funções básicas da vida humana, impactando de forma decisiva na qualidade de vida.